Archive for the 'Geral' Category

CD: revisto ou sem visto?

Código deontológico da Ordem dos Médicos revisto ou sem visto?

Hoje o Público anunciou algumas das alterações propostas pelo bastonário Pedro Nunes na sua revisão do Código Deontológico da ordem dos médicos (OM). Será que podemos chamar-lhe revisão? Ou será que se ficou por falta de visão?

Em relação à interrupção voluntária da gravidez o alheamento da realidade, não só portuguesa mas europeia e ocidental, é o esperado…Manter tal como está e ignorar o direito a escolher, mesmo quando a lei e o país já não o fazem e apesar da UE reforçar várias vezes ao longo da última década a sua oposição…

Na questão da identidade de género mais uma restrição e um retrocesso: em vez de se preparar uma maior flexibilidade e acesso aos serviços de saúde, a mudança de sexo restringe-se ainda e apenas a casos de diagnóstico de transexualidade e não poderá ser feita a pessoas que tenham sido casadas ou a menores, deixando de fora pessoas transgéneros e transexuais no acesso à saúde.

No caso da procriação medicamente assistida ficam propositada e homofobicamente de fora as pessoas de orientação sexual não heterossexual, por serem saudáveis e férteis. Apesar da constituição portuguesa afirmar a não discriminação com base na orientação sexual, a OM ignora-a e (sem)eticamente decide por si mesma.

Quando pensávamos que não poderia ser pior… a cereja em cima do bolo: os médicos podem cobrar um sinal do pagamento a doentes que não comparecem às suas consultas! O acesso à saúde, outro direito inalienável humano vira a cara e olha para o lado…para não ver nem rever!

 

Infarmed revela identidade de seropositivos

05.05.2008 - 15h15 PÚBLICO

Um processo do Infarmed movido contra um médico levou a que a Autoridade Nacional do Medicamento divulgasse o nome de dois doentes bem como o facto de serem seropositivos, avançou hoje Rádio Clube.
O processo prende-se com a queixa de um médico, contra o Infarmed, baseada no facto desta Autoridade ter recusado medicamentos para dois portadores de Sida. Três membros do Infarmed entenderam como uma ofensa a queixa do médico e avançaram com um processo no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa.
Mas, no processo, a identidade dos dois doentes não foi salvaguardada o que já originou uma queixa contra a presidência do Infarmed na Ordem dos Médicos, na Ordem dos Enfermeiros e no Ministério da Saúde.
Para Amílcar Soares, da Positivo, associação de apoio a doentes com HIV, o incidente é uma falha deontológica grave e a direcção do Infarmed deve demitir-se.
“Tornar público o nome destas pessoas quando elas não se querem dar a conhecer é um atentado ao direito dessas pessoas. Acho que a direcção do Infarmed, se tivesse um bocadinho de vergonha devia pedir a demissão”.
Luis Mendão, vice-presidente do Grupo Português de Activistas sobre Tratamentos de Sida diz que é cada vez mais habitual que o infarmed recuse medicamentos especiais para portadores de sida e acusa o Infarmed de dar prioridade à contenção de despesas.

O Conselho da Europa recomenda a legalização do Aborto

O Parlamento do Concelho da Europa (PACE) recomenda que todos os membros a descriminalizem o aborto, dentro de limites gestacionais razoáveis e se ainda não o fizeram, para garantir o direito das mulheres à interrupção voluntária da gravidez segura e legal.

Esta Assembleia integra 47 países europeus, que representam 800 milhões de europeus e adoptou esta resolução num debate de quatro horas, que decorreu no dia 16 de Abril de 2008, com uma votação de 102 votos a favor contra 69 contra.

Os parlamentares disseram que o aborto deve ser evitado tanto quanto possível e “não deve ser encarado em nenhumas circunstâncias como um método de planeamento familiar”, mas a criminalização não resulta em menos abortos, levando em vez disso a abortos clandestinos traumáticos e a “turismo” para aborto.

A lei permite o aborto para salvar a vida da mulher em praticamente todos os estados membros do Concelho da Europa, notou a Assembleia e na maioria dos países europeus é igualmente permitido por outras razões, dentro de um determinado tempo, com excepção de Andorra, Irlanda, Malta, Mónaco e Polónia, segundo o relatório de Gisela Wurm.  

Na resolução aprovada os parlamentares afirmam que os cuidados de saúde médicos e psicológicos, tal como o acesso financeiro adequado , devem ser oferecidos às mulheres que procuram a IVG e as condições que restringem o acesso ao aborto seguro devem ser levantadas.

Houve igualmente uma recomendação para os alunos das escolas receberem “educação sobre sexo e relações, compulsória, apropriada à idade e sensível às questões de género”, para evitar gravidezes indesejadas e, como tal, abortos.

(Comunicado de imprensa do Conselho da Europa nº: 274(2008)

Leia mais Aqui

Aborto na América do Sul

Os Médicos Pela Escolha participaram no IV Congresso Latino Americano de Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos, que teve lugar em Montevideo, capital do Uruguai.

Os direitos sexuais e reprodutivos são um dos principais temas na agenda política da América Central e do Sul. Mesmo com o recuo da Nicarágua e com as legislações restritivas do Chile e do El Salvador (que não permitem o aborto terapêutico, mesmo nos casos de risco de vida para a mulher), iniciam-se ventos de mudança neste continente.

O Uruguai prepara-se para aprovar uma lei do aborto, semelhante à portuguesa. No Brasil e na Argentina intensificam-se os esforços para criar associações de médicos pela escolha e os governos têm demonstrado sinais de abertura em relação a esta questão. A cidade do México (Estado Federal) já tem uma legislação própria aprovada na mesma altura que a portuguesa e tem boas possibilidades de reproduzi-la no resto do país. Na Guatemala e na Colômbia, os profissionais de saúde têm também começado a levantar a voz em prol dos direitos sexuais e reprodutivos da sua população.

Todos as experiências dos profissionais de saúde destes países e de outros foram abordados neste Congresso, onde foi dado muito ênfase às políticas de Educação Sexual e de Planeamento Familiar destes países.

 O poder da Igreja Católica está profundamente enraizada neste continente, influenciando as políticas de saúde e principalmente a mentalidade da maioria da população. A Igreja que se opõe ao aborto legal é a mesma que na maioria dos casos se opõe a uma contracepção eficaz e que alimenta mitos, crenças e medos relacionados com a sexualidade, que infelizmente só contribuem para aumentar a gravidez adolescente, a gravidez não desejada, o aborto clandestino e o afastamento das mulheres de cuidados básicos de saúde sexual e reprodutiva. Em muitas regiões, o fanatismo religioso provoca verdadeiros casos de segregação e exclusão de muitas mulheres, que para além de fisicamente correrem riscos ao cometer um aborto ilegal, expõem-se a humilhações verdadeiramente impressionantes.

Ouvimos muitas histórias que provavelmente preferíamos não ter ouvido, mas também ganhamos consciência que o aborto ilegal é um problema global que pode e deve ser combatido. As que mais nos impressionaram foram as faladas em português, do nosso país irmão, o Brasil. Conhecemos muitos profissionais de saúde que lutam arduamente contra o aborto clandestino e pelos direitos das mulheres no Brasil. 

Certamente este experiência pode ter sido determinante para o futuro dos Médicos Pela Escolha. 

Um governo igualitário…mesmo aqui ao lado

Zapatero apresentou dia 12 de Abril o seu novo governo, que tem 9 mulheres ao lado de 8 homens como ministras e ministros. A igualdade começa logo assim nas nomeações e na confiança depositada em no sexo feminino, ou como diria Sócrates, nas competências para estas pessoas desempenharem o cargo que lhes é proposto. A confiança estende-se mesmo à pasta da defesa, que será dirigida por Carme Chácon, grávida, mas que passará a sua licença ao marido para desempenhar as suas funções. Veja os outros nomes do novo governo espanhol, na notícia do DN

Uma investigação do Departamento de Urologia da Universidade de Vrije, de Amesterdão, nos Países Baixos, coordenada por Eric J.H. Meuleman, apresentou resultados interessantes sobre a contracepção masculina. A combinação sub-cutânea  de implantes de etogestrel e de undecanoato de testosterona intramuscular é bem tolerada e faz a supressão eficaz e reversível da espermatogénese.

Veja mais sobre esta notícia Aqui

 Falta ainda convencer o homem e os casais de que a contracepção é uma questão a partilhar pelos dois!

Função sexual e sensibilidade genital e genitoplastia na hiperplasia adrenal congénita

O Journal of Urology e uma equipa de investigadores (Crouch, Liao, Woodhouse & Conway, 2008 Feb;179(2):634-8) publicaram recentemente , no Reino Unido um estudo que incluia 38 mulheres, 28 com história de hiperplasia adrenal congénita e 10 como grupo de controlo, e analisou a função sexual e a sensibilidade genital, depois da genitoplastia feminizante, através da história médica em retrospectiva, dos regitos médicos e de um questionário estandartizado. A sensibilidade vaginal e clitoridiana foram também medidas sensorialmente.

O grupo que sofreu a genitoplastia feminizante (24 mulheres) tinha uma perturbação significativa do clítoris, comparadas com o grupo de controlo, sem que houvesse diferenças significativas no canal vaginal superior, em que a cirurgia não foi feita em nenhuma mulher da pesquisa. O limiar de sensibilidade das 4 mulheres com hipoplasia adrenal congénita, que não tinham sofrido a cirurgia feminizante, era semelhante ao grupo de controlo.  Assim, a perturbação sexual parecia mais grave nas mulheres que sofreram a genitoplastia, muito evidente nas dificuldades de penetração vaginal e na frequência de relações sexuais.

Tomar a decisão de realizar esta cirurgia nas bebés femininas deve ser cauteloso e deve informar-se bem os pais das consequências reais de permitir tal operação, pois este artigo conclui, como outros o fizeram antes, que a sensibilidade nas áreas onde a cirurgia intervém fica alterada significativamente e a função sexual alterada.

Ver revisão aqui

Urologia e Ginecologia no Top 10 das especialidades com maior lista de espera

A saúde sexual e reprodutiva de mulheres e homens portugueses não podia ficar de fora das listas de espera (urologia e ginecologia no top 10 das especialidades responsáveis por 80% das listas de espera). A desigualdade na saúde: as mulheres para além de esperarem nas filas de casa de banho, esperam também para irem ao ginecologista e os homens perdem, porque as médicas-urologistas contam-se pelos dedos das mãos no nosso país - as senhoras não querem observar medicamente os pénis deles e eles talvez não queiram ser observados por elas nas suas partes íntimas.

ver notícia do público